Vá a luta, publique seu livro

Desde a publicação do Organizando a vida com o Evernote recebo e-mails e mensagens via redes sociais com certa frequência. Uma parte delas está relacionada a dúvidas relativas a publicação eletrônica. Basicamente as pessoas querem saber se vale a pena publicar dessa forma. Sempre digo que sim. Há ideias legais demais no mundo e muita gente criativa. Minha história não foi fácil, mas hoje o processo todo está mais simples. Cheguei lá mesmo com bastante adversidade e você também pode!

Escrevi meu primeiro livro em 1999. Chamava-se o Futuro do Turismo e só foi publicado por pura insistência minha. Lutei com o mundo inteiro para conseguir concluir o processo e gastei uma pequena fortuna que não tinha. E é claro que o volume de vendas foi estatisticamente irrelevante.

O fracasso retumbante me fez entrar em modo de pausa, mas não desisti da minha carreira de escritor. Anos depois escrevi meu primeiro livro digital, o Rapa Nui. Narro nele minha viagem a Ilha de Páscoa, um dos lugares mais incríveis dentre os que já visitei no mundo. Decidi que escreveria o livro e o venderia por e-mail. As pessoas fariam o depósito ou pagamento via PayPal e eu enviaria o livro. Dito e feito.

Vendeu muito mais que o Futuro do Turismo, chegou a ganhar uma matéria no jornal Estado de São Paulo, mas, ainda assim, foram poucas cópias. O problema é que o processo todo era confuso e trabalhoso. Era preciso um depósito na minha conta para que depois eu enviasse o livro por e-mail. Considerando toda modernidade já existente em 2012, meu método era evidentemente amador e complexo demais.

Pesquisando alternativas cheguei ao Kindle Direct Publishing (KDP). Naquela época, início de 2012, o Kindle não estava disponível no Brasil, mas não desanimei. Conhecia muita gente que comprara o aparelho em terras estadunidenses e me convenci de que este seria meu público inicial. Na verdade, poucos sabem, mas nem é preciso ter um Kindle para ler os livros vendidos na Amazon. A empresa disponibiliza um aplicativo para cada uma das mais populares plataformas do mercado e qualquer livro pode ser lido no seu smartphone, tablet ou computador.

Atualmente a loja da Amazon é bastante popular no Brasil, mas naquela época poucos conheciam os dispositivos para leitura, aplicativos e até mesmo o serviço. Portanto, o Rapa Nui continuou seu caminho de pouco sucesso e eu continuei insistindo na vida de escritor.

Passei 2012 praticamente inteiro me dedicando ao Organizando a vida com o Evernote, que foi lançado em Dezembro daquele ano. E ao que tudo indica, minha maré de fracassos editoriais terminou ali. Junto com o lançamento do livro, a empresa de Jeff Bezos chegou ao Brasil. Além de oficialmente vender os dispositivos para leitura, vários títulos agora estavam disponíveis em português.

Meu livro alcançou a primeira posição dos mais vendidos no país e ficou lá por alguns dias. Depois se manteve entre os 10 mais durante semanas. Não acreditava no que meus olhos viam! Finalmente havia sido reconhecido. Nos dias que se seguiram participei de diversos Hangouts, sites de tecnologia escreveram artigos sobre o livro e fui parar na Rádio Cultura, na Ilustrada da FolhaUOL Tecnologia, prestei consultoria para uma matéria sobre o assunto na INFO Exame e ganhei uma página inteira no Correio Braziliense. Todos queriam ouvir a minha história!

Hoje o livro ocupa a posição 766 entre os mais vendidos no Brasil, mas de forma alguma isso é algo ruim. Vendo exemplares todos os dias e religiosamente recebo os pagamentos da Amazon. Estou rico? Posso viver de escrever? De forma alguma! Longe disso! Acho praticamente impossível alguém sobreviver assim no Brasil. Mas os e-mails e mensagens que chegam via redes sociais me animam demais. Sei que estou no caminho certo e melhor que isso, estou ajudando pessoas. E honestamente isso me faz muito feliz. Como o amigo Alexandre Costa e Silva gosta de brincar: — É quase tão bom quanto dinheiro.

Em 2013 a Evernote® atualizou diversos serviços e lançou algumas novidades. Sou Embaixador de Viagens da empresa e todo segundo semestre me convidam para participar da conferência anual. Lá divulgam uma série de novidades e resolvi que anualmente, entre dezembro e janeiro, iria atualizar o livro.

Esse inicio de ano (2014), por exemplo, o Organizando a vida com o Evernote ganhou mais de 5 mil palavras em 10 novos capítulos. Em realidade o livro foi todo revisto e atualizado. E o melhor, essa segunda edição saiu de graça para todos que já haviam adquirido a primeira. Como teria sido possível fazer algo assim em meio impresso?

As vantagens do eletrônico não param aí! Muitos me escrevem dizendo que utilizam o aplicativo da Amazon no computador para ler o livro. Dessa forma podem ir lendo e já experimentando as dicas e instruções no aplicativo Evernote® aberto também na tela do computador. E a página onde você está, as marcações e anotações estão todas em constante sincronismo com os outros aplicativos Kindle. Ou seja, é possível continuar a leitura em qualquer lugar. Você não precisa lembrar de sair com o livro de casa. Ele está no seu celular ou tablet o tempo todo!

Sou suspeito para falar porque minha primeira empresa, aberta em 2000, tinha como finalidade principal a conversão de livros tradicionais para eBooks. É claro que foi um fracasso. Fui tido como louco naquela época. E hoje sei que não há como discordar dos críticos daquele momento. Que insanidade a minha! Enfim, muitos loucos como eu ajudaram esse mercado a ser criado e me orgulho disso. Não sou inimigo dos livros de papel, mas adoro livros eletrônicos. E goste você ou não, eles vieram para ficar.

Aprendi tanto que hoje presto serviços de conversão para eletrônicos, mas se você não tem recursos, não se prenda a isso. Não precisa de um empresa como a minha para realizar seu sonho. Vá a luta. Leia os tutoriais e dicas espalhados por toda a Internet e tire seu livro da gaveta. Aprenda com os ensinamentos de Mario de Andrade a Fernando Sabino. Dizia ele que um livro foi feito para ser publicado. Um livro precisa nascer uma hora.

E se tudo der errado da primeira vez, tente novamente. Se mesmo assim não der certo, insista. As coisas não acontecem de uma hora para outra e o importante é aprender com cada erro para acertar na próxima tentativa. Vá a luta. Publique seu livro!