Sobre o livro Race Against the Machine

Race Against the Machine (ou Novas tecnologias versus empregabilidade) descreve em poucos capítulos algo que venho tentado explicar para as pessoas há tempos. Com base em diversos estudos, os autores defendem a tese da "corrida contra a máquina". Ou seja, quanto mais a tecnologia evolui, mais ela "rouba" empregos dos humanos.

Isso não é novidade. Quando ainda estudante de economia, aprendi inclusive que esses "empregos roubados" eram sempre substituídos por outros que surgem em decorrência da inovação. O problema atual é que os avanços têm ocorrido em uma velocidade muito maior e os autores defendem que muitas corridas estão sendo perdidas para as máquinas.

Portanto, a falta de empregos nos países mais ricos é fruto do sucesso, ou seja, excesso de evolução tecnológica, que por sua vez, não atingiu ainda os países em desenvolvimento. Obs.: essa segunda parte da frase é minha e não está descrita no livro.

Ou seja, o menor desemprego no Brasil pode ser uma faca de dois gumes. Será que estamos empregando mais por sermos tecnicamente menos avançados? Uma vez que os autores defendem ao longo do livro uma forma de driblar a derrota da corrida para as máquinas, pode ser que estejamos ficando para trás a uma distância muito maior que a habitual.



É uma reflexão séria que devemos todos fazer enquanto cidadãos. Queremos um países com empregos de segunda classe apenas para termos empregos, ou queremos um país técnica e cientificamente evoluído que busca alternativas sérias para vencer a corrida contra as máquinas? Pense nisso a próxima vez que um economista ou político sugerir medidas keynesianas para manter a economia em funcionamento.

Me parece muito ingênuo e amador dificultar a internacionalização e desacelerar a tecnologia e sua evolução natural apenas para manter empregos. E infelizmente é isso que tem sido feito no Brasil há algum tempo.

PS.: Gostei tanto do livro que estou agora lendo o The Second Machine Age, que parece ser uma versão mais elaborada e sofisticada do Race Against the Machine (Novas Tecnologias Versus Empregabilidade).