O e-mail está mesmo com os dias contados?

Há algum tempo um amigo me disse que no futuro ninguém mais usaria e-mail. Achei a afirmação um tanto quanto exagerada e continuo não acreditando no fim do correio eletrônico por ser esta a mais universal das formas de comunicação digital. Mas preciso ser franco, começo a entender melhor a base daquela argumentação.

Meus filhos, que nasceram na era da web, se comunicam com os amigos utilizando diversos meios e posso afirmar, sem medo de errar, que o e-mail é sempre a última escolha. Costumam inclusive brincar dizendo que "e-mail é coisa de velho".

—Só vocês e meus avós me mandam e-mails!

Você pode e deve argumentar: adolescentes são apenas uma pequena parte da população que se comunica eletronicamente. Mas preciso confessar, é cada vez maior o número de contatos comerciais que recebo via mensagem interna do Facebook, Hangouts, Skype etc. São tantos, que tenho certeza que logo ultrapassaram o tradicional e-mail. Afirmo isso considerando até mesmo algo tão sério quanto a negociação de um contrato. A propósito, já negociei sim com um cliente, do início ao fim, via Facebook. Só usamos o e-mail no momento do envio do arquivo doc com as cláusulas contratuais.

Dispositivos móveis e sistemas de alerta nos aplicativos e sites também contribuem para essa migração. Há algum tempo configurei meu Twitter, Facebook e Google+ para não enviarem mais notificações por e-mail. Agora acompanho tudo somente via alertas no celular e aposto que muitos dos que estão lendo também fazem isso. Hoje dei mais um passo e modifiquei também o LinkedIn para não me enviar mais e-mails. Aliás, essa rede, que costuma ser preterida no Brasil, começou a cair no gosto popular e os e-mails com notificações começaram a chegar com mais frequência. Hora de ajustar as configurações!

E já que o mundo está mudando, tentarei acompanhar a modernidade para não ser confundido com meus pais. Meu plano é tentar deixar o e-mail para assuntos cada vez mais formais ou, quem sabe, para no futuro me comunicar apenas com os avós dos meus filhos. Pode ser que assim eu diminua um pouco a quantidade de mensagens na minha caixa de entrada.



E para evitar uma inundação de alertas nos dispositivos móveis o tablet está, há tempos, com todos eles desligados. E no telefone a maioria dos aplicativos apenas me mostra o indicativo contendo o número de notificações. Nada de ruídos ou vibrações.

Afinal, mesmo com tanta modernidade, algo ainda não mudou... Quando é urgente, urgente mesmo, a pessoa pega o telefone e liga para a outra.