Meus comentários a respeito do livro IBM e o Holocausto

Lá se vão quase dez anos desde que li IBM e o Holocausto pela primeira vez. Ganhei de um grande amigo e já na introdução fiquei boquiaberto! Sempre gostei de tecnologia e não podia acreditar que a IBM tinha tido participação tão ativa no Holocausto. Ontem terminei de reler, dessa vez em inglês e no Kindle. Meu espanto foi o mesmo. É impressionante a riqueza de detalhes e quantidade de fontes primárias trazidas por Edwin Black na obra. Não chequei nenhuma delas, é claro, mas estão todas referenciadas lá e em dez anos nunca ouvi falar de alguém ou algum outro livro contradizendo o que ele escreveu.

Não vou entrar em muitos detalhes — para não estragar sua surpresa! —, mas pergunto se alguma vez você já se indagou a respeito de como os nazistas sempre tinham uma lista de nomes de judeus quando chegavam a determinadas cidades ou bairros. Já notou como isso é constantemente retratado nos filmes? Eles chegavam, liam uma lista de nomes e prendiam as pessoas. Como sabiam quem eram os judeus?

Segundo Black, essa lista era gerada pela IBM e suas poderosas máquinas Hollerith. E antes que você comece a tentar imaginar ou justificar o papel da IBM como apenas uma prestadora de serviços, pare e leia o livro.

É uma leitura extremamente densa que começa narrando o surgimento da IBM e chega até os dias do seu profundo envolvimento com os nazistas promovido pelo presidente da empresa, Thomas Watson, e outros diretores. O livro às vezes cansa pela riqueza de detalhes, mas vale a pena ler cada palavra (e reler!), nem que seja a prestações.

A história toda é tão chocante que beira a ficção de Orwell. Enquanto lia, precisei várias vezes (mesmo na releitura) lembrar meu cérebro de que não se tratava de um romance.

IBM Germany, using its own staff and equipment, designed, executed, and supplied the indispensable technologic assistance Hitler’s Third Reich needed to accomplish what had never been done before — the automation of human destruction

E o mais impressionante é descobrir todas as artimanhas da IBM para estar sempre do lado do “vencedor”. Até mesmo uma medalha nazista Watson recebeu da Alemanha. Mas quando a guerra terminou, mudou mais uma vez de lado e auxiliou os aliados no processo de retomada e reconstrução.

Nas considerações finais do livro, Black impressiona novamente ao descrever as fontes, todo o processo de coleta de conteúdo e revisão a qual submeteu o material original. Um verdadeiro exército do bem o auxiliou neste processo.

Em minha opinião é leitura obrigatória para todos aqueles que são amantes da tecnologia e história.