A reinvenção da mídia tradicional

Leio a revista Economist desde meus tempos de faculdade. E isso diz respeito há tantos anos no passado, que prefiro nem calcular. Comecei "importando" dos Estados Unidos quando um real era bem mais próximo de um dólar. Demorava um pouco para chegar via Correios, mas me atendia bem. Com o passar dos anos migrei do papel para a versão Web e hoje leio no iPad, Kindle e em outros formatos que descreverei em breve.

Foi bem interessante acompanhar uma mídia tradicional durante tantos anos enquanto a tecnologia evoluía. A revista em papel ainda é vendida e suspeito que segue sendo a versão mais popular. Mas algo chama minha atenção na forma como essa empresa interage com a modernidade. Nunca senti do lado de lá um milímetro sequer de hesitação em experimentar o novo. A revista, que aliás, se auto-intitula jornal, está no Twitter, Facebook, Tumblr, iTunes, SoundCloud e até mesmo no TuneIn Radio.

Venho há tempos tentando entender o modelo de negócios digital deles, mas ainda não cheguei a uma conclusão. Diferente das bizarras atuações das revistas brasileiras, a edição eletrônica do jornal é absurdamente mais barata que sua versão impressa. Ok, isso é fácil de compreender economicamente falando (ao menos fora do Brasil). E, a propósito, parabéns pela postura da Economist. O que não entendo é a quantidade de conteúdo gratuito que disponibilizam. É tanta coisa, que na prática eles estão sempre convidando as pessoas a deixarem de comprar as edições semanais!

Se reinventar é isso mesmo! É preciso mudar para não morrer. É a Evolução Natural se manifestando na quebra de paradigmas que a inovação traz para o mercado. Adapte-se ou morra! Esses dias, ouvindo um dos episódios do podcast da Economist, percebi um anúncio similar ao que escuto em diversos outros programas que não tiveram origem na mídia tradicional. Será que um dia sobreviverão apenas de publicidade? Não sei, mas é muito interessante ver a empresa experimentando alternativas para se adaptar ao novo. Não adianta reclamar nem pedir subsídio ao governo. É preciso se reinventar sempre para ser relevante e útil socialmente.

Inovar, a propósito, foi o que também fez o TuneIn Radio. Na quarta, nem ouvia música por lá quando descobri, lendo notícias no Flipboard, que eles tinham mudado tudo. Corri para App Store, atualizei o aplicativo e adorei o que vi.

Confesso que mesmo gostando muito do estilo da programação das rádios tradicionais (antigas!), o jeitão antiquado e até confuso da interface anterior do TuneIn Radio estava fora de moda demais quando comparado ao Spotify, Rdio, iTunes Radio e outras.

Mas engana-se quem pensa que foi só uma troca de roupa. O serviço tornou-se social de uma forma bem interessante. Além dos tradicionais compartilhar, gostar etc., você agora enxerga em uma linha do tempo a programação das rádios que segue. E nada mais consistente com a realidade que isso! Afinal uma rádio funciona ao longo do tempo. Perdeu a programação, já era!

A genialidade desse formato visual é que você não precisa ficar com o “rádio” ligada pra saber a hora do programa. Quando chegar o momento, ele aparece na linha do tempo. É só clicar e começar a ouvir! Não experimentei ainda o sistema de notificações, mas suspeito que há muito potencial na combinação deste recurso com a programação das rádios.

Porém, o mais interessante pra mim é a possibilidade de também ouvir podcasts. Não há hospedagem local e nem a sofisticação dos tradicionais aplicativos que existem especificamente para este fim. É clicar, ouvir e acabou. O bacana é que, assim como a programação das rádios, os novos episódios aparecerão também bem ali na sua frente e a única diferença é que estão gravados e você não terá a emergência de ouvir naquele momento.

E aqui finalmente juntamos a Economist (e outras mídias) à reformulação do TuneIn Radio. A Economist não é uma rádio, mas na sua versão podcast tem muito jeitão de rádio sim. A programação envelhece e passa. Muitas vezes tenho vários episódios no meu iPhone que já não fazem mais sentido. Não precisam mais ser escutados e vou apagando tudo até chegar no mais recente. No TuneIn é só clicar no que aparece no topo da sua linha do tempo e começar a ouvir. Simples e eficiente como a tecnologia deve ser.

Genial ver uma mídia impressa tradicional se reinventando tantas vezes e outra moderna tirando proveito da antiga estrutura de rádios para criar um serviço inovador. Isso é se adaptar e não ser eliminado pela evolução.

Além da Economist, levei para o TuneIn CBN, CNN e outras mídias relacionadas à notícias. Deixei no App de podcasts apenas o conteúdo que não tem muita relação com data e hora. E como não poderia deixar de ser, solicitei o cadastro do Diário de  um elefante. Ou seja, você já pode acompanhar as dicas rápidas de Evernote também via rádio online. Divirta-se. Reinvente-se!