O que mudará no editor de textos do Evernote®?

Ontem, depois de ler um artigo publicado no blog da Evernote®, quase entrei em pânico. Estou iniciando a produção de um conjunto de video-aulas que pretendo disponibilizar via Patreon em breve e uma mudança radical na interface do aplicativo significaria refazer uma boa parte dos vídeos já prontos.

A palavra "reler" não traduz a quantidade de tempo que gastei nas entrelinhas do artigo "The Future of Writing in Evernote". O problema é que há muita metáfora e pouca coisa concreta. O texto leva a crer que as mudanças não serão cosméticas, mas como ter certeza? A primeira pista vem de uma frase que está mais no final do texto. As tais entrelinhas!

And even though it represents major steps for the product, if we’ve done our job right, you’ll barely notice anything’s changed.
— Evernote®

A parte "...se fizermos o trabalho da forma correta, você mal notará as mudanças..." me parece um excelente indicativo de que posso continuar trabalhando nos meus vídeos. Mas se o plano é não deixar nada de novo aparente, o que realmente está mudando? A resposta parece estar no fórum oficial da empresa. Mais precisamente em um texto publicado por PeeJayTee esclarecendo tecnicamente o que está acontecendo.

Quando comecei a usar o aplicativo, editar Notas não era uma tarefa fácil. Ao longo dos anos, muitas coisas melhoraram, mas aparentemente o trabalho dos engenheiros nunca foi simples. Com essa pesquisa, comecei a desvendar o mistério do longo processo de evolução da formatação de Notas no Evernote®

Ocorre que o conteúdo sincronizado entre as diversas versões do aplicativo está sempre no formato proprietário da empresa, conhecido como ENML. Porém, nos textos que escrevemos, lemos e editamos dentro das Notas, a linguagem utilizada para a apresentação é o HTML, o mesmo padrão das páginas Web na Internet.

O que acontece o tempo todo, sem que você perceba, é a conversão do formato HTML para o ENML antes do texto ser sincronizado com os demais dispositivos associados a nossa conta. O outro tablet, telefone ou computador que você tem, interpreta o ENML recebido via sincronismo e apresenta em HTML o texto que vemos e editamos em cada Nota.

O problema é que o mecanismo que realiza essa conversão é específico para cada plataforma. Ou seja, incluir ou modificar um recurso no editor do Evernote®, significa criar ou modificar cada um dos conversores presentes nas mais variadas plataformas. Acho que agora finalmente entendi porque algumas funções de edição são diferentes ou não estão presentes em alguns sistemas.

Depois de ler diversos artigos e posts no fórum, cheguei a conclusão que a mudança será mesmo na engrenagem e não na aparência. O que eles farão é mudar o sistema que realiza as conversões de HTML para ENML e vice-versa. Esse mecanismo será (foi?) reconstruído em JavaScript, uma linguagem compatível com diversas plataformas.

The ‘new’ editor is a shared, common codebase that consumes and produces ENML, just like the old ones. The difference is that the technology we used to build the new editor (JavaScript) is cross platform, so we can build it once and share it everywhere. No more inconsistencies. Fewer bugs. Better editing for everyone.
— PeeJayTee, Evernote®

Em outras palavras, não será mais preciso modificar o mecanismo de conversão para cada um dos dispositivos. Qualquer inovação no editor de textos será compatível com todas as plataformas. Me parece uma excelente notícia porque facilitará demais a inclusão de novos recursos.

+ VCP 158 - Markdown

Ou seja, aparentemente está tudo OK e posso continuar a produzir os vídeos. No final, o meu desespero rendeu uma boa pesquisa, que me levou a mais conhecimento, que agora compartilho com você.

Gostou de aprender isso? Que retribuir colaborando com a manutenção do site?

Você sabia que...

Quando o Organizando a vida com o Evernote estava praticamente pronto —bem antes de dezembro de 2012, quando foi lançada a 1ª edição—, algo aconteceu! Alguns dias antes da publicação, a Evernote® divulgou uma série de modificações e precisei cancelar o lançamento e refazer uma boa parte do livro.

Recentemente, a história se repetiu com o Desvendando o Flipboard. A maior parte dos exemplos utilizados no texto tomava o Facebook como base por conta da popularidade da rede. Porém, poucos dias antes do lançamento o Facebook mudou suas regras e a conexão com o Flipboard® foi perdida. Precisei modificar todos os exemplos e refazer todas as imagens.

Moral da história? Toda vez que eu estiver prestes a lançar algum tipo de material didático, fique atento! Há uma grande chance do serviço passar por uma enorme reestruturação! Felizmente parece que dessa vez foi apenas um susto. Tudo que pesquisei indica que o aplicativo não terá modificações estéticas...