A cultura do Like efêmero e irrelevante

Desde que o SoundCloud modificou a apresentação de suas métricas, ficou muito fácil distinguir o número de clicks no botão Play da quantidade de downloads do áudio via outros meios. Se, por exemplo, coloco o player dentro de um post do Facebook ou Twitter, cada click no Play contribuirá para o incremento no contador. Já o número de downloads via RSS aparece apenas na área de estatísticas.

Resolvi então fazer uma experiência. Quantas pessoas será que efetivamente clicarão no Play se eu pagar para promover um episódio do VCP no Facebook? Como os anúncios podem ser direcionados para um público muito específico, foi isso que fiz.

Por se tratar do episódio sobre IFTTT, defini como público alvo as pessoas acima de 22 anos, que falam português, que residem no Brasil ou Portugal, que têm interesse por podcasts, automação e por todos os aplicativos mencionados no episódio. Ex.: Evernote, Todoist etc.

Segundo as métricas do Facebook, meu post alcançou 3.854 pessoas na rede social. Dentre eles, 201 pressionaram o botão Like. Já o contador do SoundCloud chegou a marca de 55 plays. Ou seja, mais ou menos um quarto das pessoas que clicaram no Like também clicaram no Play, certo? A verdade é que não sei.

O principal problema dessa conta é que a minha média de clicks no Play já é próxima dos 50 sem nenhum anúncio no Facebook. Além disso, um número muito maior que 50, representando os ouvintes do VCP via aplicativos para podcasts, me fez imaginar, por instantes, que uma provável explicação seria o fato de que poucos têm o costume de escutar podcasts via Facebook. Mas não sei dizer se este é o caso, pois já fiz experiências com artigos e meus livros no passado e o resultado foi muito parecido.

A verdade é que, independente das razões da discrepância, considero muito estranho 201 pessoas curtirem algo que na realidade não sabem se curtem ou não. Normalmente não clico no botão Curtir sem ler, ver, escutar ou assistir o que foi incluído no post como anexo, mas me parece que esse não é o comportamento da maioria.

A irrelevância do Like pode ser facilmente sentida pela quantidade de curtidas que vemos diariamente. Aliás, uma chatice "ter que ver" no nosso feed de notícias o que nossos contatos curtiram.

A impressão que tenho é que pressionar o botão do polegar se transformou num estranho hábito que não significa absolutamente nada. Ou seja, parte da receita do Facebook vem de algo tão efêmero e irrelevante como o "bom dia" mecânico que muitos desejam aos vizinhos e colegas de trabalho.