Minha opinião a respeito do Moto X Play

Venho utilizando um Moto X Play como telefone principal há algumas semanas e chegou a hora de compartilhar meus muitos elogios e algumas reclamações. Ao ler o artigo, notará que não menciono nenhuma especificação técnica e sim a minha sensação enquanto usuário. Acredito que dessa forma o leitor leigo compreenderá melhor as características do aparelho. Em outras palavras, se chegou aqui em busca de informações técnicas, pare de ler e volte ao Google.

Câmera

Que tal começarmos pelo que menos me agradou, a câmera. A qualidade vem melhorando a cada lançamento, mas a Motorola definitivamente ainda não acertou a mão. Obviamente não seria razoável comparar a câmera do X Play com a do meu iPhone 6, com o qual consigo fotografias incríveis, mas acho que faz sentido ter o aparelho da Apple como meu parâmetro de qualidade para indicar o que acredito estar faltando no Motorola.

Depois de alguns testes, percebi que com boa iluminação e firmeza na mão ao fotografar, é possível conseguir resultados bastante razoáveis. E em alguns casos, muito bons! Porém, fotos de objetos menores e distantes, como folhas em uma árvore, podem ficar levemente distorcidos.

Outro problema é a falta de equilíbrio entre o muito claro e o razoavelmente escuro. Por exemplo, fotos contra o sol. O iPhone lida muito bem com isso, mas no Motorola é muito difícil conseguir uma boa foto nessas condições. Reclamei a respeito disso no Twitter e na Comunidade do iTech Hoje no Google Plus e o @alberthpalhares compartilhou comigo uma dica simples e eficiente: ligar o HDR.

O meu estava em modo automático e não adianta ficar dessa forma. Segundo ele, é preciso ligar o recurso no menu da câmera. Abra o App Câmera, deslize o dedo na tela da esquerda para a direita e ligue o HDR.

As partes claras e escuras das imagens ficarão muito mais equilibradas, mas, usando o aplicativo da Motorola, infelizmente, não é possível escolher um ponto para o foco com o HDR ligado. Em outros Apps parece ser possível. Por exemplo, consegui fazer via Google Camera.

Clique nas fotos e veja as legendas para saber se foram feitas com ou sem HDR.

Acabamento

A qualidade do aparelho também melhorou muito, especialmente quando comparado com modelos da época do Moto G de primeira geração. Aliás, diga-se de passagem, o Moto G de segunda geração já tem um acabamento melhor que seu antecessor. Alguns dos diferenciais do X Play são uma fita metálica ao redor do aparelho e uma traseira emborrachada. O vidro, tão elogiado em diversos sites, me decepcionou. Em poucos dias de uso o meu já está repleto de pequenos arranhões e dois mais longos com quase 3 cm. São finos e praticamente invisíveis, mas estão lá. A propósito, até hoje nada parecido aconteceu com meu Moto G comprado em 2013 e sendo usado em situações bastante adversas: praia, corridas etc.

A qualidade da leitura, porém, é uma outra história. Mesmo com sol incidindo diretamente sobre a tela, consigo enxergar tudo muito bem. Algo praticamente impossível nas versões mais antigas. Esse é um ponto que está me agradando muito porque uma das coisas que mais faço no telefone é ler.

+ VCP 176 - Por que venho me tornado mais produtivo usando um Android?

Apesar da câmera, gosto muito dos aparelhos da Motorola. O Android quase puro, além de me agradar muito, facilita a atualização do sistema operacional, que, muitas vezes, chega mais cedo para estes modelos. Mas, só comprei o X Play depois que ele apareceu em uma lista relacionando os modelos que poderão ser atualizados para o Marshmallow.

Desempenho

Meus aplicativos são relativamente simples: Calendário, Flipboard, Gmail, Google Plus, Instapaper, Kindle, Netflix, Periscope, Pocket Casts, SoundCloud, Spotify, Telegram, Twitter etc.

+ VCP 160 - Esclarecendo Livros Eletrônicos
+ VCP 161 - Flipboard e o prazer de consumir conteúdo
+ VCP 173 - Lendo mais tarde no Instapaper
+ VCP 177 - Pocket Casts

+ VCP 179 - O Twitter é a rede social que mais gosto

Todos rodam muito bem, o aparelho raramente engasga e até o momento não travou comigo. Porém, tenho lido que quem joga reclama do desempenho do telefone. Infelizmente não posso compartilhar nada a esse respeito, porque não costumo jogar.

Armazenamento

Optei pelo modelo de 32GB e uso um cartão com outros 32GB para músicas e fotografia. A propósito, mesmo com a possibilidade de rodar aplicativos a partir do cartão de memória, não recomendo a aquisição de qualquer Android com apenas 8GB. Sempre que puder, compre com ao menos com 16GB. E por falar em cartões, o mecanismo utilizado pela Motorola é bastante engenhoso. Em uma mesma gaveta você pode incluir dois SIM Cards e o microSD.

E eles pensaram em todos os detalhes! Tirar o microSD é bem simples porque uma parte dele fica para fora (vide primeira foto). Já os SIM Cards ficam totalmente encaixados e tenho certeza que nem mesmo unha longa e fina consegue retirá-los de lá. A solução é simples e genial. Repare nos pequenos orifícios que aparecem na terceira foto. Basta usar a ferramenta para ejetar a gaveta (que acompanha o aparelho) e empurrar os SIM Cards.

No Brasil utilizo apenas uma operadora, mas considero o duplo-SIM importante para viagens internacionais. Sempre compro um número local pré-pago para fugir das absurdas tarifas e ter espaço para dois SIM Cards facilita muito as coisas. Basta ajustar algumas configurações do sistema e pronto, você já está com o outro número ativo.

Quando viajo, sempre prefiro o Android por diversas razões e o duplo-SIM é uma delas. Mantenho há algum tempo um número da T-Mobile e na ida e volta aos EUA é comum ver pessoas trocando o SIM Card dentro do avião. No meu caso, preciso apenas ajustar algumas configurações e pronto.

+ Por que prefiro viajar com um Android?

Além da comodidade, há situações práticas. Com os dois números ligados, posso receber e identificar as chamadas e usar serviços de VoIP para retornar ligações internacionais ou, o mais importante, continuar a receber mensagens via SMS. Sim, mesmo em tempos de WhatsApp, isso é muito útil. Há alguns alertas e tokens que chegam dessa forma e sem acesso a eles fica mais complicado resolver uma série de problemas junto a bancos e outras instituições.

Tamanho

O X Play é o maior aparelho que já utilizei até hoje (novembro/2015), sendo levemente mais largo e cumprido que o iPhone 6. Porém, a traseira arredondada é ergonômica e é bastante confortável segurá-lo com apenas uma mão. Digitar sem as duas mãos já é outra história. Bem complicado, eu diria.

Quando comprei o iPhone 6, já achava o aparelho grande e quando o comparei ao 6 Plus na loja pensei: ─Nunca terei um aparelho desse tamanho! O Moto X Play não é um 6 Plus mas, depois de algum tempo com ele, comecei a achar o iPhone 6 pequeno. Quem diria!

O tamanho também ajuda a usar o aparelho como um mini-tablet. Em algumas situações já digitei textos bem longos usando o teclado da Microsoft e tenho assistido filmes (Netflix) e muitos vídeos do YouTube confortavelmente.

+ Teclado Universal da Microsoft

O que nos leva ao áudio. O fone de ouvido é muito mais confortável que os anteriores, mas o volume é muito baixo. E as caixas de som, apesar de frontais, não são duas! Ao olhar as aberturas no topo e base do aparelho, a impressão que se tem é que existem duas caixas, mas não é o caso. A do topo serve apenas para ouvir conversas em ligações. O som de vídeos, música, viva-voz etc., sai apenas pela que está na base. Porém a qualidade é boa.  

Bateria

Definitivamente esse é um ponto muito forte! Mesmo com uso intenso (lembrando que não jogo), a carga tem durado um dia inteiro e muitas vezes coloco o telefone na tomada apenas quando vou dormir.

Conclusão

O Moto X Play não é um aparelho top de linha, mas, com exceção da câmera, que não é péssima, apenas não é excelente, não sinto falta de mais nada, mesmo quando o comparo ao meu iPhone 6. Na prática consigo executar todas as tarefas que executo usando o aparelho da Apple com a mesma agilidade e eficiência.