O WhatsApp é sua única forma de comunicação? Sinto, mas você está vulnerável a golpes e condenado a ficar ilhado eventualmente

Certa vez publiquei um artigo dizendo que o WhatsApp é uma gambiarra e muita gente ficou brava comigo. Apesar de muitas melhorias, a propósito, em vários casos, copiadas do Telegram, continuo acreditando nisso. Mas essa gambiarra é amada e utilizada por mais de 1 bilhão de pessoas e, consequentemente, é também um alvo para espertalhões de plantão.

O Telegram é 10 vezes menor que isso, mas esse não é o ponto. Ele nasceu já levando em conta os problemas que foram surgindo junto com o mercado de mensageiros. Evidentemente ele não é 100% seguro, mas é muito melhor que o WhatsApp em vários aspectos. E antes de começar a repetir que “ninguém usa”, experimente. Você vai se surpreender com a quantidade de pessoas que faz parte dessa incrível comunidade. Afinal de contas, estatisticamente falando, podemos dizer que 1 em cada 10 usuários do WhatsApp é usuário do Telegram. Hoje, além de amigos e parentes, alguns clientes já se comunicam comigo dessa forma.

Só para que você tenha uma ideia, o grupo Diário de um elefante, onde conversamos sobre organização e produtividade, já tem quase 800 membros com participação ativa e diária. No Telegram existem também Canais para divulgação de conteúdo e um bom exemplo é o jornal BBC Brasil. São quase 6 mil membros acompanhando as publicações. No El País (em espanhol), são mais de 7 mil e essas são comunidades pequenas!

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A primeira vista o Telegram se parece muito com o WhatsApp, Facebook Messenger e outros, mas ele tem algumas características bem interessantes que fazem dele um serviço mais completo e seguro.

Funciona em toda parte

Uma das principais vantagens do Telegram é que ele funciona em praticamente qualquer lugar. Android, iOS, Windows Phone, Mac, Windows, Linux e Web. E todas essas versões estão em constante sincronismo. Significa que se você começa uma conversa em um dispositivo, pode seguir a partir de outro sem nenhuma necessidade de gambiarras. Você pode, inclusive, começar a digitar uma mensagem em um local e, antes de enviar, continuar escrevendo em outro. Em termos de produtividade, isso simplesmente não tem preço.

Senha de validação em duas etapas

O WhatsApp acabou de disponibilizar esse recurso e sugiro que você pare tudo e crie uma senha. Mas no Telegram isso já existia desde o início. Além de vincular ele ao seu número de telefone, você pode e deve criar uma senha que será sempre solicitada quando você ou outra pessoa tentar configurar o Telegram com seu número em outro local.

Além disso, toda vez que um novo dispositivo é adicionado, você é notificado e um código de verificação (senha) chega nos aplicativos que você já tem instalado nos seus outros aparelhos.

E o tal golpe de transferência de dinheiro que acontece no WhatsApp? Seria impossível no Telegram. Depois que você validou seu número uma vez, você sempre saberá o que está acontecendo porque receberá uma mensagem dentro do aplicativo te avisando de uma tentativa de nova ativação. E na hipótese de alguém conseguir roubar e ativar sua conta em outro aparelho, você continuará tendo acesso ao Telegram e verá tudo que está sendo dito e feito pelo falsário.

O aplicativo em si também permite uso de senha. Colocar uma senha toda vez que quiser ver uma mensagem pode ser bem inconveniente, mas é uma opção que existe no Telegram.

+ O que é e porque usar autenticação em dois passos

E finalmente, uma última forma de proteção é poder ver todos os dispositivos que estão com sua conta ativa e desativar um, vários ou todos ao mesmo tempo quando você quiser.

Nome de usuário

Outra característica interessante do Telegram é o nome de usuário. Além do número de telefone, é possível criar um usuário para sua conta. O nome de usuário server para algumas coisas.

Por exemplo, quando você faz parte de um grupo é possível usar o nome de usuário para que a pessoa do grupo saiba que você está falando diretamente com ela. Isso acontece o tempo todo no Diário de um elefante. Além disso, serve também como uma outra camada de segurança.

Toda vez que você manda uma mensagem para alguém no WhatsApp, a pessoa do outro lado verá seu número, mas isso pode ser evitado no Telegram. Quando você cria seu nome de usuário, é ele que a outra pessoa verá. O outro lado da conversa só verá seu número se ele já souber ou se ele estiver na sua agenda de contatos do telefone.

Paz

Sabe aquele amigo ou parente que vive te incluindo em grupos? No Telegram você pode proibir ele de fazer isso. Outra tranquilidade que você pode ter é definir quem saberá quando foi a última vez que você entrou no aplicativo.

Autodestruição

Já percebeu que algumas pessoas da sua lista de contatos no WhatsApp não são quem você pensa que elas são? Isso acontece porque você tem um número antigo ou errado na sua agenda. O problema é que às vezes você nem percebe que está mandando mensagens para a pessoa errada e isso pode ser no mínimo constrangedor e no limite, bem perigoso.

O Telegram se encarrega de autodestruir contas depois de um período de inatividade. Você escolhe o período máximo nas configurações, mas não existe a opção de manter a conta inativa para sempre. O maior tempo que sua conta pode existir no sistema sem uso, antes de ser eliminada, é um ano.

Cuidado com a dependência

Entre em contato

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Mas, se apesar de tudo isso, você não quer usar o Telegram e prefere ficar vulnerável a fraudes, ao menos tenha uma outra alternativa para emergências. Se o WhatsApp é sua única forma de comunicação com outras pessoas, você está definitivamente vulnerável a golpes e ficará ilhado em momentos de apagão.

Mantenha uma outra conta como alternativa. Telegram ou Facebook Messenger e, principalmente, o número atualizado das pessoas na sua agenda para ligar ou mandar um SMS. Isso é o mínimo que você precisa fazer para diminuir os riscos.

Enfim, tenha sempre a disposição outros meios de comunicação. Chegou uma mensagem incomum, desconfie e use os outros caminhos para ter certeza de que você está falando com a pessoa certa.

Como transformei um velho iMac de 2008 em um novo computador sem gastar nada

Os computadores da Apple são máquinas muito bem acabadas e que costumam receber diversas atualizações gratuitas de sistema que fazem com eles durem mais do que a concorrência. Mas depois de quase 9 anos de vida o macOS ficou lento demais no meu antigo iMac de 2008.

Até esse final de semana ele estava guardado no armário simplesmente porque não encontrei compradores e não tive coragem de jogar fora um equipamento tão belo. Mas nunca me conformei com isso e resolvi aproveitar a oportunidade para experimentar algo que andava me provocando há algum tempo.

Em 2015 “descobri” o Chrome OS e me apaixonei pela simplicidade e eficiência do sistema. Desde então venho me envolvendo cada vez mais com ele. Ainda em 2015 comprei um Chromebook da Samsung para fazer alguns testes e descobri que é, sim, possível realizar inúmeras tarefas usando o sistema. Cheguei a experimentar trabalhar por 30 dias consecutivos sem abrir o Mac e depois passei meses usando o Chromebook por meio período diariamente. Hoje ele sempre me acompanha nas viagens a passeio. O Mac só entra na mochila quando o assunto é meu workshop porque não existe ainda uma versão do Evernote específica para o Chrome OS.

Esse ano (2017) aproveitei uma viagem internacional e comprei um Acer R11 com tela touch e que já suporta aplicativos Android. Tudo que gosto no tradicional Chrome OS continua lá, mas agora há um mar de aplicativos que posso instalar a partir da Google Play.

Os estudos a respeito do Chrome OS também me levam a descobrir o Chromium OS, a versão open-source do sistema e que pode ser instalada em diversos computadores. Para transformar meu iMac de 2008 em uma máquina eficiente em pleno 2017, utilizei o processo de instalação da Neverware.

Está tudo detalhadamente explicado no site da empresa, mas basicamente você vai precisar de um pendrive de ao menos 8 GB, uma extensão gratuita para o navegador Chrome e depois disso seguir os passos para download e instalação do Chromium OS. O procedimento todo é muito simples e relativamente rápido. O que demora um pouco é o download e o processo de instalação propriamente dito.

É possível rodar o sistema a partir do pendrive, mas achei que ficou lento demais e, além disso, meu objetivo não era esse. Dependendo do computador, você pode também instalar com duplo boot (há uma lista de equipamentos compatíveis no site da Neverware), mas como o macOS estava impraticável no meu antigo iMac, simplesmente instalei o Chromium OS em cima do sistema da Apple.

O iMac agora está veloz e funcionando muito bem. E antes que você diga que o Chrome OS não serve para trabalho de verdade, reflita sobe o tipo de trabalho que você faz: envio de emails, navegação na web, Word, Excel, PowerPoint, Spotify, Netflix etc. Tudo isso e muito mais roda perfeitamente bem no Chrome OS.

Portanto, se você tem um antigo computador parado colhendo poeira no seu armário, instale o Chromium OS, divirta-se um pouco com o sistema e, se for o caso, depois doe o equipamento para alguém que ainda não tem um computador.

Passei 10 dias com o Google Home e adorei

Mês passado, dezembro de 2016, tive a oportunidade de experimentar o Google Home por alguns dias e fiquei impressionado. Mas calma, não é exatamente o que você está pensando. O que o assistente pode fazer eu já sabia e já vinha experimentando (em Inglês) há alguns meses via App Allo. O que realmente chamou minha atenção foi o equipamento em si.

O Equipamento

A embalagem é quase toda branca e extremamente minimalista como costumam ser os produtos da Apple, pensada, portanto, para trazer uma experiência diferenciada durante o unboxing. O Google Home em si também é bastante simples, porém uma simplicidade elegante que certamente se integrará bem a muitas partes de nossas residências. E além de toda beleza é preciso destacar a excelente qualidade técnica do equipamento na reprodução de som e na compreensão de comandos de voz.

O áudio é muito bom e, para alguém como eu, que ouve música sem conhecimentos técnicos, é um impressionante upgrade para as pequenas caixas Bluetooth que se popularizaram há algum tempo. E exatamente como foi demonstrado em outubro (2016) os comandos de voz “OK Google” são perfeitamente compreendidos à distância e mesmo com a música tocando.

A Experiência

A presença de todo conhecimento do Google à distância de um simples comando de voz muda radicalmente a dinâmica da casa. De contagem de minutos para cozinhar algo ao esclarecimento de dúvidas, o assistente está ali ao lado invisível mas sempre a postos. E claro, amenidades como condições climáticas, trânsito e a música específica que você deseja ouvir naquele momento aos poucos se tornam conversas corriqueiras e diárias.

Os blogs e podcasts estadunidenses que acompanho têm dito que a inteligência artificial e potencial de conectividade do (da?) Alexa da Amazon fazem dele um equipamento melhor que o Home, mas a pergunta que fica é: onde está o assistente da Apple?

A Siri, perto da concorrência parece mais uma criança ainda sendo alfabetizada e, detalhe, só funciona nos equipamentos da Apple. O Assistente Google está em toda parte, até mesmo no iPhone e o Alexa pode acabar se transformando no assistente padrão de um telefones Android, como quase aconteceu com um modelo da LG.

Venho repetindo que Inteligência Artificial é o futuro e se a Apple não começar a se preparar de verdade, vai perder ainda mais terreno. Sobre o Google Home, pena que foi um casamento curto, mas fiquei tentado muito tentado e provavelmente comprarei um no futuro.